Muda! Nunca é tarde!

Acordei disposto e a procura de um lugarzinho ao sol!
Como aquele domingo estava brilhante e cheio de vento e vida, saí de meu apartamento para dividir com as pessoas o meu sorriso, a minha alegria e a gratidão pela vida!
Imbuído deste espírito altivo, já entrei no elevador cumprimentando satisfeito, com um belo: – Bom dia! Onde fui ignorado descaradamente pela senhorinha com cara de nojo. Ela estava abraçada em seu cãozinho, um poodle escandaloso que, assim como a dona, deixava claro que minha presença era mesmo desagradável!
Dona Flor, a moradora do último andar, que tinha a fama de destratar os funcionários do prédio, mesmo sendo ela uma das mais dependentes do auxílio e generosidade deles, além de exigir silêncio absoluto após as 22h, com alto grau de intolerância e agressividade! Como se as pessoas dos apartamentos abaixo, fossem mesmo abaixo em todas as categorias na escala da humanidade!
Dona Flor! Eis ali, diante de mim! Novamente aproveitando a oportunidade de desferir sua arrogância e despejar sua imagem de mulher desagradável, por todo o elevador… Talvez sentisse prazer nisso, talvez apenas fosse estúpida… fosse como fosse… Eis Dona Flor, fazendo mais uma vítima… Eu!
Sim… a miúda Dona Flor, com seu corpo frágil e curvado, apenas uma velhinha indefesa, mas que preferia ser assim… e atacar o próximo com suas famosas desfeitas e arrogâncias!!!
Porém… como estava feliz, apenas sorri para o monstrinho que ela carregava e segui adiante. E encorajado pelo Seu Francisco, o prestativo porteiro, que deu um sorriso ao me reconhecer de dentro de sua guarita, com seu jeitão humilde e bem humorado e de gestos leves… lançou-me seu aceno de Miss Universo e sua positividade… tão espontâneo, tão real! Me alegrei novamente e mandei um: – Grande Seu Francisco!!! Agradecido por ele existir e me fazer crer que nem todos são uma Dona Flor.
A velhinha de cabelos brancos e bem penteados, se arrastou em minha direção, com passos lentos e despreocupados, encenando um andar prejudicado e com seu desinteresse habitual pela espécie humana, passou por mim. Preferiu não dar conta que eu segurava o portão para que as diabas saíssem… Ela e seu monstrinho de pêlos!!! Mas, era certo que na realidade fingisse não notar na minha presença, assim como fazia com todas as pessoas ao seu redor… todos estavam mesmo abaixo dela!!!rsrs
Calmo e ainda disposto, fingi que aquilo não me irritou e abstraí… vendo descontraído a rua e seu movimento acelerado!
Logo depois que sai do portão, atravessei distraído a rua, onde quase fui atropelado por um senhor de terno e gravata, com seu carrão indescritível e de boca suja! Corri assustado, chegando ao outro lado esbaforido, sendo amparado por um tiozinho sorridente, que saiu de dentro de seu fusca amassado e de pára-lamas presos por arames, para se assegurar que eu estava bem e a salvo!
Agradeci a preocupação e ele pedindo para que eu tomasse mais cuidado, declarando que aquele senhor do carrão era mesmo perigoso, entrou novamente em seu carrinho detonado e seguiu seu caminho, cheio de barulhos e fumaças…próprio dos carros velhos!
Voltei para minha vida, já mais desacreditado e sem tantas certezas… lembrei dos clientes sempre tão exigentes e intolerantes… da falta de compreensão das pessoas, da pouca gentileza e da falta de vontade de resolver! Onde o culpar, acusar, brigar é sempre a melhor resposta! Perdi o tesão e voltei para casa…
Sabe… estas duas cenas mexeram com minha mente e passei o dia inteiro pensando nisso, tanto que até sonhei…

Ei você! Esqueceu sua humanidade, seu carinho e respeito pelo próximo?!
Creia… vai por mim… este não é você de verdade. É apenas um reflexo de um momento despreocupado e provavelmente… sem perceber! O mundo dos distraídos, iludidos e cheios de boa vontade!!!
Cantou em meu ouvido, o alegre bichinho estranho dos sonhos perturbados!!!

Acordei pensando na Dona Flor e quase quis ligar para ela e pedir para que mudasse o seu jeito, que mudasse a sua forma de pensar… pois eu sabia que ela, em algum dia desses, iria ter que se explicar, se humilhar… se perdoar e pedir perdão!
Sabia que aquele sonho não tinha sido em vão e que essas mudanças, com o passar do tempo, se tornavam ainda mais difíceis!
Enfim… seja como for… não deu tempo! Dona Flor morreu no dia seguinte… foi atropelada por um daqueles carrões!!! Talvez, até mesmo, pelo senhor do carrão idescrtível…
Pobre Dona Flor… Que o bichinho dos sonhos perturbados a deixe em paz!!!

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4 Respostas para “Muda! Nunca é tarde!

  1. Está muito bom… voce está escrevendo a cada dia melhor… estou orgulhosa. hahahahahaha….
    Dá até para fazer um livro de contos rss
    Um beijao e parabéns!

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