Uma lenda!

Esta é uma história muito, muito… mas muito antiga… mesmo!
Ela é tão antiga, que é conhecida por pouquíssimas pessoas e as que a conhecem, afirmam se tratar apenas de uma lenda.

Há muitos anos atrás, em meio a uma floresta, próxima ao mar, existia uma mulher… uma linda e jovem mulher, de cabelos longos e dona do sorriso mais lindo e encantador que um ser humano já pode ver… ou melhor, para os poucos que puderam a ver, pois ela pertencia a uma realidade paralela… como uma realidade virtual, uma holografia… um outro plano!
Ela, do alto de uma gigantesca montanha, aparentava ser muito solitária. Aos que a viam, sempre relatavam sobre ela estar sozinha… apenas observando, procurando, sonhando, ou esperando algo! Ela parecia admirar o mar, a natureza e outros acontecimentos, que dentro da nossa realidade seria impossível explicar. Com seus olhos brilhantes e cheios de encantamentos, sorria um sorriso simples, quase infantil, revelando, desta maneira, um ser de uma natureza pura e uma alegria inconcebível à maioria dos que por ali passavam!
Próximo daquela montanha, seu mirante, havia uma tribo de pessoas guerreiras, muito agitadas e ocupadas com seus afazeres e por estarem tão envolvidas naquela luta diária, não a viam. Porém, no meio daquela tribo, existia um homem que a via e a admirava muito, mas que, diante de tantas responsabilidades de líder e por ser considerado um exemplo para as pessoas da tribo, não conseguia tempo e nem uma boa razão palpável para seguir seus impulsos, pois ele temia que isto pudesse ser interpretado como fraqueza, ou falta de interesse ao cargo que ocupava e imaginava que as pessoas perderiam o respeito por ele, pelas regras de conduta e hierarquia… e isto representaria o fim de sua tribo. Ele não queria isso!
Existia, além do fato dela ser uma pessoa de um plano invisível aos olhos do povo daquela tribo, um outro fator que também impedia dele conseguir ser notado por ela: Ela era uma gigante!!!
Vivia naquela montanha há anos e graças a sua altura descomunal, onde sua cabeça batia nas nuvens e seus pés tocavam o solo, como se aquela montanha enorme fosse um simples punhado de terra e, por isto, graças a tão descomunal estatura, ela nunca havia reparado nele e nem na tribo, que existia logo abaixo.
De certo, se as pessoas pudessem vê-la, agradeceriam o fato dela nunca os ter reparado, sentimento que não era compartilhado pelo chefe da tribo, que a via e se sentia profundamente atraído por ela!
O tempo era percebido e sentido de maneiras diferentes, sendo que para ela as coisas passavam muito lentas e calmas, já o oposto acontecia ao povo daquela tribo, onde os movimentos e o tempo de vida eram bem mais acelerados.
Mesmo diante de tantas responsabilidades e decisões a serem tomadas, ele não a esquecia, vivendo com aquela dor de estar tão dividido… entre o real e o espiritual! Dois grandes amores!

Um dia o chefe não aguentando mais o seu segredo e visivelmente cansado de levar aquela vida, da impossibilidade de ter novas experiências, novas pessoas e novas histórias, procurou o Xamã da tribo, que revelou saber da existência daquela mulher, mesmo não a podendo ver com clareza. Então, o chefe implorou por ajuda, pois tinha a necessidade de ser visto por ela e ter, desta maneira, a oportunidade de dizer os seus sentimentos!
Com este objetivo em mente, tentou de tudo… sinais de fumaça, danças sagradas, músicas, mantras e tudo o que era possível e estivesse dentro das possibilidades dele… mas nada parecia chamar a atenção dela.

Ele mantinha este segredo e quanto mais ele a via, mais ele a amava e diante de tanta paixão, ele começou a se afastar mais e mais de suas responsabilidades, de sua vida, de sua tribo…
Diante de tanta dor e já não aguentando mais ser ignorado por ela, ele decidiu se afastar de tudo e de todos e em uma atitude desesperada e incompreendida, escalou aquela montanha de caminhos incertos e perigosos, para tentar uma aproximação.

Depois de meses em árdua escalada, finalmente conseguiu chegar ao topo da montanha, onde ele teve mais um desafio, pois como eram de diferentes massas corporais, ele não conseguiu ser visto por ela, que diante de tão majestosa criatura, não passava de um pontinho impercepitível!!!
Durante os primeiros meses ele apenas ficou ali, a admirando e se apaixonando ainda mais, sem saber como conseguir estar com ela.
Muito tempo se passou e cansado, diante de tamanha decepção e frustração… chorou! Ele apenas foi definhando, desistindo e perdendo a sua luz!

Um dia, ele acordou de uma noite escura e fria e diante de um sol nascente, no horizonte que só o mar proporciona… ele passou a enxergar uma pequena parcela da beleza do lugar onde estava e relaxou… e simplesmente curtiu o que viu!
Ele refletiu a luz de um sol morno e alaranjado… sob um céu violeta e percebeu algo muito importante… que o amor dele era egoísta e carregado de desejo, então, a partir deste dia.. ela o notou!
Enfim, ele se limitou a ter prazer em estar ao lado dela e enxergar o mundo à sua volta de uma outra maneira, de uma forma mais tranqüila e natural! Aceitar a proposta daquele amor… lado a lado… sempre em frente!
Quando ele tranquilizou, percebeu a aceitação do seu amor… acendendo a luz de seu coração! E ali ao lado dela, ele foi crescendo e aprendendo a entender aquele plano… aquele estado… o mundo dela… e a aceitar o tempo dela!
Hoje, depois de muitos e muitos anos, temos uma bela lenda, mas os que tem esta sensibilidade e a luz no coração, juram que ao lado daquela cidade iluminada, do alto daquela montanha, existem dois gigantes… que não compreendemos suas razões, mas que com certeza… se amam profundamente!

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Uma resposta para “Uma lenda!

  1. Paciencia e confiança! Duas qualidades que nem sempre conseguimos manter unidas…
    As vezes bate uma ansiedade que nos dá a sensaçao que o tempo nao passa, quando deveria passar rápido… ou o tempo se encurta de tal forma, que parece que aquilo que mais desejamos e que queremor reter por muito tempo, escapa de nossas mãos, como água em mãos fechadas….
    O melhor, metafóricamente falando, é abrir as mãos em forma de concha e deixar que a água que tem estar ali, esteja o tempo que deve ser…
    Gostei da lenda…
    Beijos

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