Profissionais em ação!

Oras… Aquele dia estava quente demais… apenas isso!
E o calor mexe com a cabeça da gente e esquenta os humores e irrita nas pequenas atitudes! Nos gestos e insinuações… Não sabe, não fale! Cale-se! Sem julgamentos.
Naquele dia, seus temores se tornavam reais… juntou um aluguel no outro e ele estava sendo pressionado, ameaçado… intimado! A dona era impiedosa… velhinha cruel!
O calor era de enlouquecer qualquer um… sem ar condicionado, sem um som decente no carro! Sem dinheiro para gasolina!
E aquele trânsito? Já era ruim para uma pessoa comum… o que dizer para ele?
Não se orgulhava de seu trabalho, mas também não reclamava… não era a dele. Ele sabia que tinha que ser controlado, frio, silencioso, discreto… sigiloso!
Sua figura não inspirava confiança e nem medo, pois suas roupas mal combinadas e de seguna classe, não impressionava ninguém.
Passou a noite na boate, concentrado, se inspirando mais uma vez para fazer o que devia ser feito.
Ele era procurado, mas ninguém sabia que se tratava dele… sua imagem não correspondia com a busca, um sujeitinho comum e à margem de qualquer roda de marginais e criminosos… sua classe social era indefinida.
Estar ou não estar presente? Quem liga? Nem sua família sabia direito o que dizer dele… um mistério… um Zé Ninguém!
Seu trabalho era do tipo que não se procura nos jornais, só acontecia se fosse indicado e tinha que ser bem indicado.
Já fazia um tempo que ele não trabalhava… tinha recebido duas propostas antes desta, a que ele estava prestes a executar, mas faltou confiança nos clientes… duas jovens senhoras endinheiradas… mulheres de “Barão”, como ele chamava os muito ricos, ou melhor, dois ex-barões… outro profissional havia aceitado a encomenda. Gente ruim, da pior espécie, não temia pegar qualquer trabalho… porém, amador demais… Deixou pistas, provas… agora… todo mundo na cadeia… ele estava certo mais uma vez. Ele dizia que era um pressentimento, uma coceira na testa… no nariz… coisa de profissional!
Começou cedo na área… nunca foi por gosto, já que era temente a Deus, mas a necessidade… a tal da sobrevivência!

A boate fechou quando o sol estava nascendo… a hora que tinha de ser!
A encomenda? Uma mulher muito linda… uma dama da noite… das que faz um homem balançar, se envolver e falar demais! Ela dançou a noite toda e ele até torceu para que ela se divertisse ao máximo, pois era sua última noite… sua última aventura!
Deus colocou ele no caminho dela… e ele havia sido bem pago para isso… nada podia salvá-la!
Ela se despediu sorrindo e brincando com todos, exatamente como ela sempre fazia… mas, pela última vez!

Encomendada, seu destino estava nas mãos dele… e ele se vangloriava de nunca ter falhado… e não falhou!
Ele também nunca havia sentido dó de suas encomendas, mas daquela vez tremeu… ela se assemelhava e tinha a idade de sua filha mais velha… a que estava na faculdade!
Lembrou do aluguel… estava mesmo atrasado, a do mês anterior encostou na do mês vigente.. e ele era orgulhoso! Gostava das contas em dia.
Sem uma aposentadoria decente… IPTU, IPVA, Taxas e Prestações atrasadas… fora a escola dos filhos mais novos, os amados filhos.. e a faculdade da mais velha? Como aquilo era caro!

Ele a seguiu o dia inteiro… discretamente, sabia tudo dela, sacou até um admirador secreto, perto de uma destas esquinas da vida! Lamentou pelo o que poderia ter sido, mas imediatamente imaginou que estava fazendo um bem, afinal, ela era uma profissional e o coitado não tinha chances… o pobretão não a veria hoje e nem nunca mais…

O trabalho foi feito como o encomendado… pareceu um assalto… levou a bolsa da moça com ele… entre dinheiro e bagunças de mulher havia um celular com a foto dela… ele sentiu dó pela primeira vez, uma pequena comoção… quase quis virar o rosto!

Aquele ano ele estava garantido, seu cliente era um dos bons! Era uma relação de confiança… mais uma vez selada.
Ele não levou os sentimentos profissionais para sua vida pessoal… estava tudo bem!
Ele se negava a se arrepender… ele era um profissional e cada um com sua responsabilidade!
Ele era respeitador e nunca julgava ninguém, mas também não aceitava julgamento.
Ela era uma profissional, fez o que tinha que fazer… por isso, logo depois do expediente dela… ele fez o dele.

Ao chegar a noite, em sua cama, fez suas orações rotineiras e foi dormir de cabeça vazia… feliz… as contas estavam pagas!

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