Dia alaranjado | Sem pressa | Te amo!

Seus gestos lentos, sua forma tranqüila e agradável, estarão para sempre em minha mente. Pensei enquanto a observava fazendo o café da manhã!
Tão querida e gentil, conversava sobre coisas banais, algo sobre a horta que deveria cuidar e a jabuticabeira estar carregada.
Sabia se tratar de um domingo ensolarado que surgia por de trás das árvores do fundo do quintal e tudo o que eu desejava naquele momento era estar com ela ali, esperando o café da manhã ser preparado.
Ah! Como eu queria bem aquela mulher e estar naquele domingo com ela era uma honra, um prazer e uma alegria incompreensíveis para quem já estava tão acostumado a vivê-los!
Era mais um sonho maluco, onde alguém do lado invisível e, que só podia me amar, me permitiu viver novamente, mas naquele momento eu não era a criança louca de vontade de passear, brincar, ou de fazer outra coisa… eu tinha consciência daquele momento, com a visão deste jovem senhor que sou.
Apesar de estar dentro do corpo daquela criança de pouca idade, como um dia já havia acontecido, sabia se tratar de uma oportunidade, mais uma chance milagrosa de aproveitar um momento lindo e único…
Lá estava ela! Minha querida mãe… preparando o café da manhã de domingo! Que visão abençoada! Que dia especial!
Creio que fui o primeiro a me levantar naquele dia, pois era apenas ela e eu na cozinha! Levantei da minha cadeira, quando já tinha consciência do que se passava a minha volta, pois foi a partir deste momento que percebi ter voltado no tempo e só então, notei estar de volta na casa dos meus pais.
Achei a casa aconchegante, com o sol da manhã invadindo toda a cozinha e dando uma vida alaranjada aos objetos, mas não um dia abafado, mas iluminado… um milagre… o milagre dos domingos de manhã na companhia de uma mãe querida.
Quis falar algo, mas percebi que era mesmo muito novo e meu vocabulário ainda era bastante curto, por isso, não conseguia me expressar direito…. apenas disse: – Mamãe, te amo!
O que a fez rir e dizer que também me amava, com direito a um beijo carinhoso!

Fiquei feliz, saudoso e intrigado com aquela possibilidade e lembrei imediatamente de meus filhos!
Será que eles têm por mim o mesmo carinho? Será que têm uma lembrança de um momento especial comigo? Um dia em que a Luz Divina se fez presente?

As crianças são e estão sendo bombardeadas por milhares de informações… todos os dias!
Começam cedo na escola, começam cedo na internet, na tv a cabo, nos programas do canal aberto, no videogame, na música comercial e fraca em conteúdo [e em todos os sentidos… acredito!].
Acreditam estar namorando, quando não existe nem mesmo um relacionamento de amizade… tudo é superficial! Vazio!
Não sei qual é o tempo ideal e mais correto… os que vivi, onde tínhamos mais tempo de digerir todos os acontecimentos a nossa volta, onde eu conseguia perceber melhor as pessoas, suas informações, além de ser mais preservado de alguns assuntos e ter minha privacidade infantil, ou os de hoje, onde se pode rever pessoas a hora que desejar, retirando delas uma quantidade absurda de assuntos, onde é possível analisar com informações cruzadas através da internet, saber do necessário e além disso.
Hoje me vejo sem paciência para certas coisas, assim como meus filhos! Me vejo querendo acelerar um filme e pular os momentos que não me interessam, ou ouvindo uma música pela metade… pois tenho pressa! Pressa do que? Não sei… mas isto é uma realidade!
Pressa em me relacionar, em ver, ouvir, falar, fazer…
Creio que me falta um café da manhã… com calma… onde a luz alaranjada e romântica tome toda a cozinha e que eu possa dizer com calma e sem querer pular para a próxima fase:
– Te amo!

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3 Respostas para “Dia alaranjado | Sem pressa | Te amo!

  1. É claro que eles tem!!!!!! Não sei se lembranças de um “dia alaranjado” (pois você vive muito mais a noite), mas lembranças de deitar na cama e pintar a tatuagem do papai, ou de assistir os “vídeos engraçados”…

    Não se preocupa não!!! Você está indo muito bem!!!
    E seus filhos te amam!!! Você sabe disso!

    Ah, e eu também te amo!!!

  2. Pois é… Hoje fui ao fundo do quintal de minha atual casa… Abracei a jabuticabeira que tem aqui… Falei com ela como se ela fosse “aquela” jabuticabeira que o papai plantou no dia em que eu nasci… Esta me fez companhia neste dia de sol, onde vi refletir através de seus galhos a mesma luz que eu via quando era apenas uma menininha feliz, brincando no quintal da minha infância, após tomar o café da manhã com nossa querida mamãe… Esta jabuticabeira também ouviu as minhas dúvidas, meus desejos, meus medos, meus sonhos, como aquela da minha infância tantas vezes fez… Eu me senti grata por ela estar comigo agora e em gratidão, limpei todo o mato que havia à sua volta para que ela pudesse respirar melhor… De certa forma, eu também fiz hoje uma viagem ao passado… em recordações, em conversas com minha árvore, em memórias que de tão boas sempre recordam…
    Estamos em sincronia rsss
    Beijos e grata pelo belo texto!

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