Encerrando meu Blog.

Obrigado aos que acompanharam meu Blog!
Estou encerrando ele por aqui.
Talvez comece outro, com outro nome, com outras intenções.
Aos Diabéticos… se cuidem, vocês nunca terão a tal da cura.
Aos amigos que conheci por aqui, valeu! Foi bom. Estou por aí, no Facebook e outros lugares, até segunda ordem.
Aos que se ofenderam, a vida é assim mesmo, nem todos conconcordam com nossas idéias e revoltas, as diferenças existem e nos fazem pensar.

Ao mundo… Adeus!

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Hospitalidade

Hoje fui na padaria e parei para analizar meu bairro. Um lugar agradável e bem familiar, onde a predominância é a de pessoas mais velhas.
Lá na padaria, em um dia comum como qualquer outro, estavam reunidos as figuras carimbadas da minha vila.
Os velhos de sempre. Amigos de longa data e suas muitas opiniões e histórias… um mais mentiroso do que o outro!!!rsrsrs.
Naquele dia em especial a coisa estava animada, graças a um jogo da liga européia, que estava sendo televisionado.
Eles são uma mistura maluca de raças de tudo quanto é canto do mundo. Tentei Lembrar por cima e percebi que estavam presentes naquela tarde alvoroçada, os vários estrangeiros que sempre frequentavam aquele lugar. O Português, dono do estabelecimento era o mais falante, mas não ficavam muito atrás os outros gringos igualmente animados.
Vi alguns Italianos, lituanos, portugueses, alemães, croatas, africanos, japoneses, holandeses, gregos, espanhóis, bolivianos, argentinos, colombianos, paraguaios, franceses, muitos brasileiros é lógico… e outros que nem sei de que lugar vieram.
Sabe, nestas horas que percebo que sou bem brasileiro mesmo, pois fico feliz em vê-los tranquilos, de bem com a vida e entrosados com nossa cultura…
O clima era tranquilo e lógico que, por isto, havia muitas piadinhas de provocação, mas todas animadas, convenientes e muito bem-vindas.
Somos um povo misturado e nossa cultura, parece mesmo com a de todos… do mundo todo!
Nada me ofende facilmente, ou me faz repugnar alguém!
Não sei se todos pensam assim, mas eu particularmente não estranho as pessoas, apenas evito aquilo que não quero para mim… mas não julgo. Não sobre isto!
Negros, brancos demais, vermelhos, mulatos, loiros, ruivos, bronzeados, esverdeados de escritório, manchados… aqui para mim… somos todos iguais e teria mesmo alguma repulsa… se tivesse que pensar diferente.
Agradeço à Deus por ter nascido aqui nesta terra de misturas, pois dizem que, os que vieram de longe, isto é muito bom.. e que se chama hospitalidade!!!
Na boa? Pra mim, isto se chama dia-a-dia!

Homem ao mar!!!

Olhar o mar é olhar para dentro da gente mesmo!
Talvez você ainda não tenha percebido, pois talvez estivesse acompanhado de alguém, ou entretido com alguma coisa, mas se tiver uma oportunidade de ficar sozinho diante dele, deixe-o mostrar seus problemas… e talvez você se surpreenda com seus reais objetivos de vida.
Ele te mostra você, como se fosse um gigantesco espelho…
Ele é para mim a melhor representação de Deus, além do reflexo de nossa alma.
No mar, somos um com ele e se no fundo… a paz ou o medo aparece, como se nos colocasse à prova.
Se souber usar suas forças ao seu favor… apenas mais uma diversão, mais um dia de adrenalina e desafio.
Se não souber… o medo incontrolável… as vezes o afogamento… e até mesmo o fim!

Um dia…

… eu estava no ponto de ônibus, quando uma velhinha toda enrugada e mal vestida chegou falando alto, com a perna manca e o sorriso desdentado.
Ela trazia consigo uma garrafa embrulhada num saco de papel pardo. O conteúdo era suspeito, pois a cada trago ela fazia uma careta danada de feia.
A vi chegar em empolgada conversação, enquanto a língua ficava bailando desorientada a brincar naquele sorriso vazio, talvez desesperada procurando algum apoio nas beiças caídas e enrugadas.
Discutia com sua voz rouca assunto sério e profundo, entre um trago e outro, com a convicção dos entendidos. Parava algumas vezes a dissertação para que o acompanhante pudesse ter tempo de retrucar, enquanto eu estava ali parado entre ela e o elemento invisível, sem saber se disfarçava ou entrava no assunto, porque mesmo não o enxergando, pois o interlocutor só era visto por ela mesma, eu podia imaginar a resposta da figura invisível através das atitudes e reclamações da velhinha, em seu diálogo empolgado e íntimo, ou melhor, muito íntimo, pois ela o mandava para muitos lugares ruins quando ele parecia discordar com a opinião dela.
Deduzi que era “ele” e não “ela” a figura invisível, porque algumas vezes a velhinha o chamava de broxa e coisas do tipo, o que me fazia crer que só podia se tratar de um homem.
Creio que em certo ponto da discussão eles ficaram brigados, pois ela o xingou e fez que ia embora sozinha, virando a costas dizendo que não falaria mais se ele não se desculpasse com ela. Nesse momento eu até olhei para o nada com cara de quem procura uma retratação de alguém, mas na seqüência desisti, apenas me achando ridículo. De qualquer maneira, creio que “ele” captou meus pensamentos de trégua e como um bom cavalheiro invisível que ele era, eu acho, creio ter se desculpado, pois um pouco tempo depois ela voltou a conversar com ele novamente, com seu sorriso perdido e a prosa achada… aí, seguiram “juntos” de novo em animada e eterna discussão.

Em São Paulo.

Como escrever isso sem parecer regional demais?
Sou de São Paulo, terra boa em partes e terrível em outras. A cada passo um jeito, um sotaque, uma aventura.
Da zona leste vem uma batida forte e violenta, da corrida descalça, do papo nervoso e agitado, dos “zóio” arregalado e das “veia” que brotam na garganta com ginga de malandro. De lá, gritam que “a chapa esquenta” e esquenta mesmo…
Sou de São Paulo e não morro de orgulho, nem de vergonha, pois tem gente boa, tem gente bonita e as sem beleza nenhuma.
Aqui tudo o que se planta dá, do ódio ao amor, basta plantar.
São Paulo pra quem gosta de esnobar, pra quem gosta de gastar, para quem gosta de trabalhar e pra quem não tem escolha nenhuma.
Do lado rico da cidade se pode ver de tudo, tem os do bem e os de se evitar. Uns são amistosos, do tipo que se faz pensar que a vida vale a pena, mas há os de se pensar… pra que? Ruim até mesmo de conhecer.
Uns são outros não, lá em São Paulo.
Terra do skate no pé da periferia, das estradas lotadas, dos “sotaque” sem “s” e onde todo mundo é “meu”. E as “concordância” se discorda.
Sou de São Paulo com orgulho e ódio. Sou da terra de ouvir samba sentado, e de cantar calado.
Sou de São Paulo das praias lotadas no verão e abandonadas no inverno.
Sou pra São Paulo… e sou só mais um!
Sou de São Paulo, como não sou pra mais nenhum.
Sou de São Paulo e aqui é meu lugar, pois longe dela sou só turista.
Sou daqui e não morro de orgulho, nem de fome.
Tô em São Paulo… só me achar.

Uns fazem graça…

Traquitanas e parafernálias, pulos, saltos, giros e confusão. Bate, pragueja e se enrosca.
Nunca o tente impedir, pois nada o detêm.
Carro que explode e gente que não acaba mais a sair correndo.
Suas cores vibrantes e voz de taquara rachada chamam, falam, mas no fundo não quer dizer nada.
Eu só vejo graça… e das boas, mas tem que se envolver, se soltar… aí a coisa flui.
As crianças se hipnotizam, os adultos riem, principalmente se estiverem acompanhadas de crianças… aí a coisa flui mesmo!
E se eu tivesse que estar no lugar dele? Complicado… sem graça demais.
O cantor canta, o vendedor vende…
O meu papel é o de rir… e isso eu faço bem… deixa assim mesmo e “simbora” rir dele… “simbora” correr atrás deste cara.

Vai pro mar brou…

Vai pro mar brou… gritou um grande amigo lá do fundo do meu sonho!!! Aquele sotaque de quem pega onda o dia inteiro e a noite vai pra bagunça, aquela alegria de quem ama o mar e carrega consigo um espírito jovial, livre e feliz… muito feliz!!!
Aquele clima eu conheço, a alegria ainda mais… uma alegria de quem não tem um puto no bolso, nem carteira e nem as preocupações que se carrega quase o tempo todo do lado de cá.
Acordei rindo, chamando seu nome e pedindo pra chegar mais perto, porque eu não o estava ouvindo direito.
Acordei rindo sozinho e perguntando pras paredes do que ele estava falando… mas acordei rápido demais…
Acordei e envelheci automaticamente… e a vida voltou na velocidade com que a realidade pede…
Mas a voz deste meu amigo, que já se foi desta realidade já faz um tempo, continuou a ecoar em minha mente…
Vai pro mar brou… vai pro mar…
Desta vez não deu… meus olhos se encheram de lágrimas, mas ainda consegui esboçar um sorriso..
Vou.. vou sim…